A forma mais justa de dividir contas quando alguém sai (ou entra) a meio do mês é pagar em proporção aos dias em que cada pessoa viveu na casa. Divide-se o valor da conta pelo número de dias do período e multiplica-se pelos dias de cada um. Simples no papel, mas na prática há sempre um frigorífico por esvaziar, uma fatura que chega tarde e alguém que "só ficou mais dois dias". Vamos pôr ordem nisso.
O método base: dividir por dias
A fórmula serve para quase tudo:
Custo por dia = valor total ÷ dias do período Parte de cada pessoa = custo por dia × dias em que viveu na casa
Se várias pessoas partilham o mesmo período, somam-se os "dias-pessoa". Parece mais complicado do que é.
Exemplo hipotético
Imagine uma casa com três pessoas e uma conta de eletricidade de 90 € para um mês de 30 dias. A Ana sai no dia 10.
- Ana: 10 dias
- Bruno: 30 dias
- Carla: 30 dias
- Total: 70 dias-pessoa
Custo por dia-pessoa: 90 ÷ 70 ≈ 1,29 €
- Ana: 10 × 1,29 ≈ 12,86 €
- Bruno: 30 × 1,29 ≈ 38,57 €
- Carla: 30 × 1,29 ≈ 38,57 €
Os valores são ilustrativos, só para mostrar o cálculo.
Renda: normalmente é outra conversa
A renda nem sempre segue a lógica dos dias. Antes de fazer contas, respondam juntos:
- O quarto fica vago ou já tem substituto? Se ninguém ocupa o quarto, quem assume essa parte?
- Houve aviso prévio combinado? Se a pessoa avisou tarde, pode ser razoável pagar até ao fim do período acordado.
- O que diz o vosso acordo ou contrato? Se existe algo escrito, é o ponto de partida. Se tiverem dúvidas sobre obrigações legais, vale a pena confirmar com o senhorio ou com alguém qualificado, porque as regras variam.
Se decidirem dividir a renda por dias, usem o mesmo método acima, mas por quarto e não por pessoa.
Contas variáveis vs. contas fixas
Nem todas as despesas se comportam da mesma maneira:
- Fixas (internet, subscrições partilhadas): o método por dias funciona bem.
- Variáveis (luz, água, gás): o método por dias é o mais prático, mesmo que não seja perfeito. Tentar adivinhar quem tomou banhos mais longos só gera discussão.
- Leituras de contador: se for possível, anotem ou fotografem a leitura no dia da saída. Ajuda a ter uma referência objetiva.
Faturas que chegam depois da saída
É aqui que as coisas costumam escorregar. A pessoa já saiu, a fatura chega três semanas depois e ninguém sabe bem o que fazer.
Algumas opções:
- Caução interna: a pessoa que sai deixa um valor estimado e acerta-se a diferença quando a fatura chegar.
- Compromisso de pagamento: combinam por escrito que ela paga a sua parte quando receber a fatura digitalizada.
- Acerto por estimativa: usam a média das últimas faturas e fecham o assunto no dia da saída.
Qualquer uma funciona, desde que fique combinada antes de a mala sair pela porta.
Despesas partilhadas da casa
Não se esqueçam do resto:
- Produtos de limpeza e bens comuns comprados em conjunto
- Móveis ou eletrodomésticos adquiridos a meias
- Comida partilhada na despensa
Para móveis, decidam se quem fica compra a parte de quem sai, se o objeto sai com alguém ou se fica como está. Não há resposta certa, só a que todos aceitarem.
Checklist para o dia da saída
- Data exata de saída combinada
- Leituras de contadores registadas
- Renda: acordo sobre até quando paga
- Contas fixas calculadas por dias
- Plano para faturas futuras
- Bens comuns resolvidos
- Contas e subscrições atualizadas (tirar ou adicionar nomes)
- Chaves devolvidas
- Tudo registado por escrito, mesmo que seja numa mensagem de grupo
Quando alguém entra a meio do mês
A lógica é a mesma, ao contrário. A nova pessoa paga a partir do dia em que se muda. Aproveitem para combinar logo como vão funcionar as próximas saídas, para não repetirem esta conversa sem regras.
O que evita a maior parte dos conflitos
- Combinar cedo. Falar de dinheiro na véspera da mudança, com caixas pelo chão, raramente corre bem.
- Escrever tudo. Uma folha de cálculo partilhada ou uma nota simples chegam.
- Aceitar que "justo" não é "exato". Um método claro e igual para todos vale mais do que acertar ao cêntimo.
Com uma fórmula simples e um acordo escrito, a saída de um colega deixa de ser um problema de contas e passa a ser só mais uma mudança na casa.

