Como encontrar vazamentos de gastos com a regra dos 3 recibos

Author Maya & Tom

Maya & Tom

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Tem um momento bem clássico aqui em casa: a gente abre o app do banco, olha a fatura, e um de nós solta um “ué…”, como se o dinheiro tivesse ido passear pela Speicherstadt sem avisar. Aí começa a caça às bruxas: “Você pediu delivery de novo?” “E você, que passou na padaria só pra pegar pão e voltou com meia confeitaria?”

A gente não é contra gastar. A gente é contra gastar sem perceber — porque isso vira ressentimento rápido. E é aí que a regra dos 3 recibos salva o clima.

O que é a regra dos 3 recibos (sem planilha, sem drama)

Uma vez por semana (ou a cada duas, se a vida estiver corrida), cada um de nós pega 3 recibos ou transações recentes que:

  • foram meio “automáticas” (o café, a corridinha de mercado, o transporte por app),
  • parecem pequenas, mas acontecem sempre,
  • ou dão aquela sensação de “nem lembro de ter comprado isso”.

A graça é que não é sobre pegar o maior gasto. É sobre achar os vazamentos: aqueles gastos de repetição, distração e conveniência que somam sem fazer barulho.

Tom prefere escolher os recibos mais “objetivos” (“isso aqui é claramente desnecessário”). Eu prefiro os que me deixam confusa (“como assim a gente gastou tudo isso em ‘pequenas compras’?”). A combinação funciona.

Como fazer em 15 minutos (o nosso ritual realista)

  1. Cada um traz 3 recibos
    Pode ser recibo de papel, print da transação, ou só a linha do extrato. Regra de ouro: sem chegar com cara de auditor.

  2. A gente descreve o contexto, não se defende
    Em vez de “não foi nada!”, a frase é:

  • “Eu estava com pressa e resolvi do jeito mais fácil.”
  • “Eu estava estressado e quis um agrado rápido.”
  • “Eu achei que era ‘baratinho’, nem pensei.”
  1. Nomeamos o vazamento (e damos um apelido, porque ajuda)
    Exemplos que aparecem muito:
  • “Conveniência de fim de dia”
  • “Recompensa de sobrevivência”
  • “Pequenas compras que viram rotina”
  • “Assinatura fantasma” (Tom odeia essa)
  1. Decidimos UMA micro-regra pra próxima semana
    Não é mudar a vida. É testar um ajuste pequeno e ver se reduz atrito.

O que procurar: 4 tipos de vazamento que quase todo casal tem

  • Gastos de repetição: o mesmo tipo de compra aparecendo várias vezes.
  • Gastos de “tanto faz”: coisas que a gente compra sem nem gostar tanto assim.
  • Gastos de substituição: pagar por algo porque faltou tempo/energia pra fazer do jeito normal (e isso pode ser totalmente válido).
  • Gastos desalinhados: um acha “necessário”, o outro acha “luxo”. Aqui mora a treta.

E sim: às vezes o vazamento não é “cortar”. É assumir conscientemente: “isso é prioridade pra nós agora”.

Três jeitos justos de lidar com vazamentos (sem virar controle)

1) “Teto por categoria” (Tom ama, eu tolero)

Escolhemos uma ou duas categorias que mais vazam e colocamos um limite em proporção ao nosso orçamento. Se passar, a gente compensa em outra categoria, sem culpa e sem acusação.

Frase útil:

  • “A gente quer reduzir isso ou só quer parar de se surpreender?”

2) “Dinheiro livre proporcional” (eu amo, Tom negocia)

Cada um tem uma parte do dinheiro que é pessoal e sem justificativa, definida de forma proporcional à renda (ou proporcional ao que faz sentido na dinâmica do casal). O resto é combinado.

Isso evita a sensação de pedir permissão pra viver.

Frase útil:

  • “Eu topo revisar gastos juntos, mas preciso de um espaço que não seja debatido.”

3) “Quem tem mais tempo otimiza” (quando a vida está caótica)

Nem sempre a solução é “gastar menos”. Às vezes é trocar conveniência paga por conveniência planejada. Quem estiver com mais tempo naquela semana cuida de:

  • compra maior e organizada,
  • preparar algo simples,
  • cancelar assinatura esquecida,
  • planejar duas opções rápidas pra janta.

Frase útil:

  • “O que está faltando aqui: dinheiro, tempo ou energia?”

E quando a gente discorda do que é “vazamento”?

A gente usa duas perguntas que evitam briga:

  1. Isso compra paz ou compra ansiedade?
    Se compra paz (menos estresse, mais tempo, mais descanso), talvez não seja vazamento. Se compra ansiedade (culpa, surpresa, sensação de descontrole), vale ajustar.

  2. Isso é importante pra você ou é só hábito?
    Se for importante, tratamos como prioridade. Se for hábito, tratamos como experimento.

E tem um detalhe que ajuda muito: visibilidade. Quando a gente acompanha gastos no mesmo lugar (tipo no Monee), diminui a chance de cada um criar uma história na cabeça (“ele gasta demais”, “ela não liga”). Fica menos “achismo” e mais “tá aqui o padrão”.

Um mini-roteiro de conversa (pra não virar tribunal)

  • “Quero entender, não julgar: o que estava acontecendo quando você gastou isso?”
  • “Isso te deu valor de verdade ou foi só automático?”
  • “Qual ajuste pequeno a gente testa por uma semana?”
  • “O que você precisa de mim pra isso ficar mais fácil?”
  • “A gente está tentando economizar, reduzir surpresa, ou só alinhar expectativas?”

Se isso parecer difícil, comece por aqui

Escolham apenas um recibo cada, e a única meta é trocar a frase “quem gastou?” por “o que isso resolve pra gente?”. A partir daí, a regra dos 3 recibos vira menos sobre cortar e mais sobre fazer o dinheiro parar de sumir no silêncio.

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