Pick your model
Antes de entrar nas contas, escolham um modelo de decisão. Ele evita discussões repetidas e transforma “acho que dá para fazer” em uma regra que os dois respeitam.
1) Modelo “Tempo é o nosso recurso comum”
Combina com: casais com agendas cheias, energia limitada, ou quando o stress vira briga.
Ideia: o tempo “livre” do casal é um bem compartilhado; tarefas que o consomem demais vão para um pro.
2) Modelo “Aprender faz parte do plano”
Combina com: casais que gostam de projetos, toleram erro e querem autonomia.
Ideia: alguns DIY valem pelo aprendizado — mas com limites claros para não virar buraco sem fundo.
3) Modelo “Sem ressentimento”
Combina com: quando um faz e o outro “supervisiona”, ou quando a carga mental pesa.
Ideia: ninguém vira gerente do outro. Ou é DIY com dono definido, ou é pro com briefing definido.
A partir daqui, o truque é testar custo + tempo + responsabilidade, sem números em moeda.
O Teste de Orçamento: Custo–Tempo–Responsabilidade
Façam este teste em uma única conversa e anotem as regras. Só revisitem se algo mudar (renda, rotina, saúde, casa).
Passo 1: Definam “o que é essencial” vs “o que é extra”
Copiem e colem, ajustando:
- Essenciais conjuntos: segurança da casa, funcionamento (água/luz/aquecimento), higiene, manutenção que evita dano, tarefas que destravam a rotina.
- Extras pessoais: hobbies, ferramentas “de desejo”, upgrades estéticos, projetos por diversão.
Regra prática:
- Se é essencial, decide-se juntos e paga-se pelo arranjo conjunto.
- Se é extra, cada um decide e paga do próprio bolso.
Passo 2: Pontuem o esforço (sem planilhas)
Para a tarefa/projeto, respondam rápido:
- Complexidade: baixa / média / alta
- Risco de dano/segurança: baixo / médio / alto
- Interrupções e bagunça: leve / média / pesada
- Carga mental (planejar, comprar, lembrar): leve / média / pesada
- Prazo realista: curto / médio / longo
Regra de decisão (copiar e colar):
- Se risco ou segurança for alto: contratar pro.
- Se complexidade e carga mental forem altas ao mesmo tempo: contratar pro.
- Se o prazo for longo e atrapalhar rotina essencial: contratar pro.
- Se for aprendizado desejado e risco baixo: DIY pode ser um “projeto de lazer” (paga-se como extra).
Passo 3: Definam o “dono” (uma pessoa só)
Ressentimento nasce quando “um faz e o outro gerencia”. Para DIY, escolham um dono:
- Dono do DIY = decide método, lista compras, executa, finaliza e limpa.
- A outra pessoa = ajuda apenas se for pedido com clareza (“segura aqui 10 minutos”), sem críticas no meio.
Regra de proteção:
- Sem comentários durante o trabalho. Feedback só no final, em 2 frases: “o que funcionou” e “o que mudamos da próxima vez”.
Passo 4: Coloquem um “limite de tentativa”
DIY sem limite vira novela. Copiem:
- Limite de tentativa: se após X tentativas ou Y horas o essencial não estiver resolvido, vira contratação.
- Definição de pronto: “funciona e está seguro” (não “perfeito”).
Sem números? Usem regras qualitativas:
- “Uma tarde” para tarefas pequenas;
- “Um fim de semana” para médias;
- Se passar disso e ainda for essencial, pro.
Regras de dinheiro (sem fiscalizar ninguém)
Escolham 1 dos modelos de divisão. Todos podem ser justos; o importante é combinar e parar de discutir.
Opção A: 60/40 por renda líquida (ou qualquer proporção equivalente)
- Tudo que é essencial conjunto entra nessa proporção.
- Extras pessoais ficam fora.
Opção B: Metade-metade com “correção de carga”
- Pagam essenciais 50/50, mas quem carrega mais trabalho doméstico/mental ganha mais espaço para gastos pessoais sem julgamento.
Opção C: Responsável paga, outro compensa em outra área
- Quem escolhe o DIY assume custo e trabalho; o outro compensa com outra responsabilidade do lar (ou vice-versa).
- Útil quando renda é parecida, mas tempo/energia não.
Regras prontas para copiar (aluguel, supermercado, fundo de projeto)
Regra do “aluguel + contas”
- Essenciais da casa: dividir por proporção de renda líquida (ex.: 60/40).
- Se um trabalha de casa e usa mais recursos, acordar um ajuste simples (ex.: quem usa mais paga uma fatia maior das contas variáveis).
Regra do supermercado
- Lista A (básicos): entra no conjunto.
- Lista B (mimos): cada um paga o seu, sem comentário.
Regra do “fundo de manutenção/projetos”
- Contribuição conjunta: um percentual fixo do take-home total do casal.
- Uso permitido: apenas essenciais e prevenção (evitar dano maior).
- Uso não permitido: upgrades estéticos e ferramentas de hobby (isso é pessoal).
Prompts de conversa (curtos e úteis)
- “Isso é essencial para a casa ou é um projeto por diversão?”
- “Quem vai ser o dono, do começo ao fim?”
- “Qual é a definição de pronto: seguro e funcional, ou perfeito?”
- “Se der errado, qual é o plano B sem culpa?”
- “O que importa mais aqui: economizar tempo, reduzir stress, ou aprender?”
If this feels hard, start here
Regra de fallback (copiar e colar):
- Essenciais com risco ou alto stress: contratar pro e dividir por proporção de renda.
- Extras e hobbies: DIY só se a pessoa que quer for dona do projeto e pagar do próprio bolso.

