Fundo para Franquia do Seguro: Quanto Você Deve Guardar?

Author Bao

Bao

Publicado em

A regra que você precisa: guarde 100% da maior franquia que você teria de pagar amanhã, e só então pense em otimizar.

Isso é um “fundo de franquia do seguro”: dinheiro separado para cobrir a parte do prejuízo que o seguro não paga (a franquia), sem depender do cartão, empréstimo ou do seu orçamento do mês.

A Regra dos 100% (simples e memorável)

Regra: Fundo de franquia = 1× a maior franquia aplicável entre suas apólices.

Por que funciona: a franquia é um “piso” de gasto. Se o evento acontecer, você precisa desse valor antes de qualquer reembolso ou parcelamento virar opção.

Como calcular em 3 passos

  1. Liste suas apólices com franquia (ex.: auto, residencial, saúde/dental, equipamentos).
  2. Identifique qual franquia é maior e pode acontecer de forma plausível.
  3. Guarde 100% dessa franquia em uma conta separada e acessível.

Se você tem mais de uma franquia alta, a regra continua simples: use a maior — porque o objetivo é sobreviver ao pior caso provável sem drama.

Onde a regra falha (e por quê)

A Regra dos 100% falha quando “uma franquia” não captura o custo real do primeiro impacto. Exemplos comuns:

  • Múltiplos eventos próximos: dois sinistros em curto intervalo podem exigir duas franquias.
  • Franquias por pessoa ou por evento: alguns planos podem ter franquias que se somam.
  • Coparticipação + franquia: a franquia não é o único desembolso.
  • Risco concentrado: você depende muito de um único ativo (ex.: usa o carro para trabalhar). A chance de acionar o seguro pode ser maior, e o custo de ficar sem o ativo também.
  • Renda instável: quando um gasto extra “come” uma parte grande do que entra.

Nesses casos, você precisa de uma versão mais segura.

Versão mais segura: Regra 150% + “Dois Impactos”

Regra segura: guarde 150% da maior franquia ou 2× a franquia mais provável de acontecer — use o maior dos dois.

Por que 150%? Porque quase sempre existe “atrito”: deslocamento, taxa, dias sem uso do bem, coparticipação, ou um segundo gasto colado no primeiro. Você não quer um fundo que “quase” dá.

E por que “Dois Impactos”? Porque o mundo real adora combo: batida + vidro, infiltração + reparo extra, consulta + exame. Nem sempre isso vira duas franquias, mas muitas vezes vira dois desembolsos.

Pocket-card (guarde isso)

Regra: 1× a maior franquia (padrão)
Quando usar: renda estável; poucas apólices; baixa chance de sinistro; franquia é o principal custo inicial
Quando não usar: renda variável; risco alto; franquias por evento/pessoa; coparticipação relevante; possibilidade de eventos repetidos
Como adaptar: 150% da maior franquia ou 2× a franquia mais provável (use o maior); se houver coparticipação, some uma “margem” em percentual

Mini-cenários (sem moeda, só percentuais)

Cenário 1: Uma franquia dominante e renda estável

Você tem:

  • Franquia do auto = D_auto
  • Franquia residencial = D_res
  • D_auto = 120% de D_res

Aplicação: fundo = 100% de D_auto.
Adaptação se você quer margem: fundo = 150% de D_auto.

Regra mental: “Minha maior franquia, inteira. Se eu for cauteloso, mais metade.”

Cenário 2: Renda variável e risco de repetição

Sua renda mensal oscila ±30% e você já acionou o seguro no passado. A franquia mais provável (a que mais tende a acontecer) é D_prob.

Aplicação segura: compare:

  • 150% da maior franquia
  • 200% de D_prob (Dois Impactos)

Escolha o maior. A ideia é evitar que um mês fraco transforme franquia em dívida.

Cenário 3: Franquia não é o único custo (coparticipação)

Seu plano tem franquia D e, depois disso, você paga uma coparticipação média de p% em alguns serviços.

Regra simples de adaptação:

  • fundo ≈ 100% de D + uma margem de p% de D
    Exemplo mental: se p é “alto”, trate como +25% a +50% de D; se p é “baixo”, +10% de D já reduz o risco de ficar curto.

O objetivo não é precisão cirúrgica — é não ser pego por custos “satélites”.

Erros comuns (que custam caro)

  • Confundir franquia com prêmio: guardar pensando no valor “da mensalidade” não resolve o dia do sinistro.
  • Misturar com a reserva geral: se o dinheiro fica no mesmo bolo, ele desaparece.
  • Guardar “quase tudo”: 80–90% parece perto, mas o sinistro não dá desconto.
  • Ignorar o segundo impacto: transporte, coparticipação, reparo complementar, ou outro evento pouco depois.
  • Assumir que dá para parcelar: às vezes dá, às vezes não. O fundo existe para você não depender disso.

O que fazer depois de atingir a regra

Depois de bater 100% da maior franquia, você tem duas escolhas boas (sem complicação):

  1. Subir para 150% se sua vida é mais imprevisível (renda variável, risco maior, histórico de sinistro).
  2. Manter em 100% e focar em outras prioridades de proteção financeira.

Um bom padrão vence ajustes infinitos: 1× a maior franquia é o mínimo simples; 150% ou Dois Impactos é a versão cautelosa quando o mundo real tende a cobrar extras.

Descubra Monee - Controlo de Orçamento e Despesas

Em breve no Google Play
Descarregar na App Store