Perdeu o Telemóvel? Um Orçamento de Substituição em 3 Passos

Author Elena

Elena

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O teu telemóvel desaparece e, de repente, tudo pára: pagamentos, escola, WhatsApp dos pais, autenticações, fotos das crianças. E a cabeça vai logo para o pior: “Isto vai custar uma fortuna.” Promessa do post: em 3 passos simples, fazes um orçamento de substituição que te põe de volta a funcionar — sem compras por pânico e sem rebentar o resto do mês.

A versão rápida (para quem está à pressa)

  1. Define o teto: quanto podes gastar hoje sem estragar renda, alimentação e contas.
  2. Escolhe o “nível certo”: usado/recuperado vs. novo, e o mínimo de specs que precisas mesmo.
  3. Fecha o buraco do mês: corta 2–3 coisas temporárias e decide como repões a almofada.

Vou assumir uma família de quatro numa cidade alemã (custos semelhantes aos de Munique: tudo caro e tempo curto). Ajusta os números à tua realidade.

Passo 1: Faz o “orçamento de emergência” (sem drama)

Este passo é basicamente: quanto é que este telemóvel pode custar sem virar uma crise maior?

Pega num papel (ou notas no computador, porque… sem telemóvel) e escreve:

  • O que ainda falta pagar este mês: renda/hipoteca, creche, eletricidade, internet, seguros, transporte.
  • O mínimo para viver: supermercado, medicamentos, uma folga para “a vida acontecer”.

Depois define o teu teto de substituição:

  • Se tens uma almofada (poupança) dedicada a imprevistos: usa uma parte, não tudo.
  • Se não tens almofada: trata como despesa de emergência e escolhe o mínimo que te devolve a funcionalidade.

Faço assim em casa:

  • Se a almofada é de, por exemplo, 1.000–1.500 EUR, eu permito-me usar 300–600 EUR sem culpa.
  • Se a almofada está curta (tipo abaixo de 500 EUR), o teto desce para 150–350 EUR, e pronto — porque o objetivo é não ficar vulnerável no resto do mês.

O que não resultou para mim: “Eu pago já e depois logo vejo.” Spoiler: o “depois” vem com juros (ou com a conta do cartão a doer e discussões em casa).

Mini-script para falar com o/a parceiro/a (sem acusar)

Copia e cola, a sério:

“O telemóvel sumiu e precisamos resolver hoje. Eu proponho um teto de X EUR para não mexer no essencial do mês. Topas decidir comigo em 10 minutos e fechar isto?”

Passo 2: Escolhe a opção certa (novo, usado, ou “recuperado”)

Aqui é onde o pânico faz as pessoas gastar 200–500 EUR a mais do que precisam. A pergunta não é “qual é o melhor telemóvel?” — é qual é o mínimo que serve a tua vida real.

Três caminhos (com custos realistas)

  1. Usado/“refurbished” (recondicionado): normalmente 180–450 EUR para algo decente.
    • Ideal quando queres boa relação preço/qualidade.
  2. Novo de gama média: normalmente 250–600 EUR.
    • Bom se queres menos chatices com bateria e garantia.
  3. Topo de gama novo: 800–1.400+ EUR.
    • Só faz sentido se o teu trabalho depende mesmo disso e o orçamento aguenta.

A minha regra de mãe ocupada: se o telemóvel serve para mensagens, mapas, fotos das crianças e apps bancárias, então:

  • Bateria boa > câmara perfeita
  • Memória suficiente (para não viveres a apagar coisas)
  • Atualizações de segurança (para não arriscar contas)

E decide já o que é “não negociável” para ti:

  • Dual SIM?
  • Boa câmara à noite (festas da escola são sempre em ginásios escuros)?
  • Compatibilidade com o que usas em casa (carro, relógio, fones)?

Aha moment real: percebi que eu não precisava do “melhor”, eu precisava do “não me atrapalha”. Quando escolhi isso, parei de comprar por ansiedade.

Não esqueças estes custos “invisíveis”

Muita gente esquece e depois o orçamento estoura:

  • Capa + película: 15–40 EUR (sim, compra logo; sim, vale a pena)
  • Carregador/cabo (se o modelo mudou): 15–50 EUR
  • Cartão SIM/eSIM: geralmente baixo custo, mas pode haver taxa
  • Franquia do seguro (se existir): muitas vezes 50–200 EUR

Se tens seguro (de operadora, cartão, ou apólice):

  • Confirma se “perda” está coberta (às vezes só cobre roubo).
  • Pergunta a franquia e o prazo.
    Às vezes esperar “só mais uma semana” sai caro porque ficas sem autenticações e acabas a resolver tudo em modo stress.

Passo 3: Tapa o buraco do mês (e evita repetir)

Ok, compraste (ou vais comprar). Agora a parte chata e útil: como é que isto não estraga o mês inteiro?

Escolhe 2–3 cortes temporários por 30 dias, com meta concreta. Exemplos realistas numa família:

  • Subscrições a mais (aquelas que “custam só 9,99”): corta 2 e já dá 20–30 EUR/mês
  • Take-away/entregas: reduzir 2 pedidos pode dar 30–60 EUR
  • Compras “de passagem” (padaria + café + snack): cortar 3 por semana pode dar 25–40 EUR
  • Supermercado: uma semana “sem extras” (nada de produtos novos/impulsos) pode poupar 15–35 EUR

Se o telemóvel custou 350 EUR, eu gosto de fechar assim:

  • 150–200 EUR sai da almofada (se existir)
  • 150–200 EUR recupero em 4–8 semanas com cortes pequenos e realistas

Script para decidir “quem paga o quê” sem virar discussão

“Isto foi um imprevisto da casa. Podemos dividir 50/50 ou ajustar conforme quem tem mais folga este mês. O objetivo é não ficar ninguém a afundar por causa disto.”

Pequeno “anti-repetição” que dá mesmo resultado

Sem moralismo, só prática:

  • Define um mini-fundo de telemóvel: 10–15 EUR/mês até teres 150–300 EUR
  • Revê o seguro só quando fizer sentido (e sabendo exatamente o que cobre)
  • Mantém um telemóvel antigo funcional na gaveta (não perfeito — funcional)

E, se usas uma app de despesas tipo a Monee, este é o tipo de evento em que “finalmente saber para onde vai o dinheiro” ajuda muito: marcas como imprevisto, vês o impacto no mês e evita o clássico “eu achei que tu ias pagar isso”.

Checklist para screenshot

  • Defini o meu teto de substituição (X EUR) sem tocar no essencial
  • Somei custos invisíveis: capa/película, carregador, taxas, franquia
  • Escolhi: usado/recondicionado ou novo gama média (com 3 prioridades claras)
  • Planeei 2–3 cortes por 30 dias para recuperar parte do gasto
  • Combinei em casa como vamos dividir e repor a almofada
  • Criei um mini-fundo para o próximo imprevisto (10–15 EUR/mês)

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