Reparar ou substituir? Uma regra simples de orçamento para tudo

Author Elena

Elena

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O que dá para poupar (faixa realista)

Assunções rápidas: apartamento em Munique, família de 3–4 pessoas, compras e serviços típicos na Alemanha.

  • Poupança realista por decisão (reparar vs substituir): 30€ a 250€
  • Poupança anual (somando 4–6 decisões comuns): 150€ a 900€

A maior diferença não é “achar o preço mais baixo”. É evitar gastar duas vezes: pagar um conserto que não compensa ou substituir por impulso quando uma reparação simples resolveria.


A regra simples (e leve) que uso para quase tudo

Quando algo quebra ou “não está mais bom”, eu faço duas perguntas:

  1. Quanto custa para voltar a funcionar bem? (reparação total, com deslocação e peças)
  2. Quanto custa substituir por algo equivalente? (preço total, entrega, instalação, retirada do antigo)

Depois aplico esta regra:

Regra 50/5 (em linguagem simples)

Reparar se:

  • o custo da reparação for ≤ 50% do preço de substituição E
  • a reparação der pelo menos 5 meses de vida útil “tranquila” (sem remendos semanais)

Substituir se:

  • a reparação passar de 50% do preço do novo OU
  • você já sabe que vai voltar a falhar em pouco tempo (menos de 5 meses de uso normal)

Por que funciona: é uma regra “boa o suficiente” para semanas corridas. Ela evita o buraco mais comum do orçamento doméstico: gastar em manutenção cara repetida ou comprar novo por frustração.


Como calcular em 3 minutos (sem planilha)

Use este mini-roteiro no bloco de notas do celular:

Checklist rápido (copiar e colar)

  • Preço do novo equivalente: ___ €
  • Reparação (peças + mão de obra + deslocação): ___ €
  • Tempo até ficar pronto / impacto no dia a dia: ___ dias
  • Risco de voltar a falhar (baixo/médio/alto): ___
  • Eu tenho alternativa temporária? (sim/não)
  • Decisão pela Regra 50/5: reparar / substituir

Exemplo 1: máquina de lavar

  • Novo equivalente: 549€ (entrega + instalação: +39€) → 588€
  • Reparação: visita 89€ + peça 140€ + mão de obra 70€ → 299€
  • 50% de 588€ = 294€ → reparação passou por pouco
    Se o técnico disser que “deve aguentar bem”, eu ainda considero reparar. Se houver sinais de desgaste geral (rolamentos, vazamentos), eu substituo — porque 299€ viram 299€ mais um novo em breve.

Exemplo 2: aspirador

  • Novo equivalente: 179€
  • Reparação (bateria + serviço): 95€
    50% de 179€ = 89,50€ → reparação acima.
    Aqui costuma compensar substituir, a menos que o modelo novo seja muito pior para sua casa (alergias, tapetes, etc.).

Ajustes inteligentes (quando a regra “não basta”)

A Regra 50/5 é o ponto de partida. Ajusto quando:

1) O item afeta rotina e saúde

Frigorífico, aquecimento, colchão, cadeiras de trabalho: se o problema vira estresse diário, o “custo” não é só dinheiro.
Alternativa: se substituir agora dói no orçamento, escolha uma solução intermediária (reparação mínima) e marque um teto de gastos.

2) Você já está pagando “taxa de irritação”

Se você já perdeu horas, fez gambiarra, comprou peças pequenas várias vezes… isso é dinheiro também, só que espalhado.
Sinal de alerta: três pequenos gastos em 60 dias (ex.: 12€ + 18€ + 25€) e ainda não resolveu.

3) A reparação vem com garantia clara

Se o conserto inclui garantia e o técnico explica a causa, eu dou mais peso ao “reparar”.


O maior vazamento: reparos e assinaturas se misturando

Quando algo quebra, é comum “compensar” com gastos pequenos: entrega de comida, lavanderia, mais consumo de energia, compras por impulso. Então eu faço um micro-check:

Checklist anti-vazamento (copiar e colar)

  • Vou pagar algum “plano” por causa disso? (ex.: seguro, extensão, assinatura)
  • Tem custo de energia maior enquanto está ruim?
  • Vou comprar acessórios extras que não precisava?
  • Existe uma opção temporária gratuita/emprestada por alguns dias?

Exemplo realista: secadora quebrada → lavanderia 18€ por semana → em 6 semanas são 108€. Às vezes isso muda totalmente a decisão.


Armadilhas comuns (e como evitar)

  • Comparar reparo com “novo em promoção” de qualidade inferior: compare sempre com um equivalente (capacidade, desempenho).
  • Ignorar custos de instalação/retirada: 30€–80€ aparecem fácil e mudam o cálculo.
  • Aceitar orçamento vago: peça linha por linha (deslocação, peça, mão de obra).
  • Gastar “só mais um pouco” sem teto: defina um limite máximo antes de autorizar.

Caixa de script: traga isto para sua próxima chamada/chat

Script para pedir orçamento claro (reparação)

Olá! Antes de autorizar, pode me passar um orçamento detalhado com: deslocação, diagnóstico, peça(s), mão de obra e prazo? E também se existe garantia do serviço e por quanto tempo?

Script para negociar preço/alternativas

Obrigada. Se eu autorizar hoje, existe alguma opção mais econômica (peça compatível, reparo parcial com garantia) ou desconto na mão de obra? Quero decidir com base no custo total.

Script para cancelar com educação (quando não compensa)

Obrigada pelo orçamento. Pelo custo total, para mim não compensa reparar agora. Vou optar por substituir. Se no futuro eu precisar de outro serviço, volto a entrar em contato.


Uma regra pequena que mantém o orçamento respirando

A ideia não é acertar 100% das vezes. É ter um “trilho” que reduz decisões cansativas e evita os grandes vazamentos. Com a Regra 50/5, você corta culpa, corta retrabalho e transforma uma situação chata em um cálculo rápido — do tipo que cabe entre uma corrida da escola e o jantar.

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